Broken Money
Por que o Nosso Sistema Financeiro Faleceu e Como a Tecnologia Pode Salvá-lo
BTC News
11/6/20253 min ler


O livro Broken Money, de Lyn Alden, é leitura obrigatória para quem quer entender como o nosso sistema monetário global chegou ao ponto de colapso tecnológico. Alden, que é engenheira e estrategista de investimentos, não foca apenas em moral ou política, mas sim em como a tecnologia moldou (e quebrou) o dinheiro ao longo da história. Ela descreve o sistema atual como "remendado" (duct tape-like) e obsoleto.
O livro é dividido em uma análise histórica aprofundada, culminando na apresentação do Bitcoin como uma solução viável.
Aqui estão os pilares centrais que explicam por que o dinheiro está quebrado e qual é a proposta de correção tecnológica:
Pilar 1: O Descompasso de Velocidade (A Falha de Engenharia)
Alden mostra que a grande falha do nosso sistema remonta à invenção do telégrafo. Antes disso, a informação e o metal (como o ouro, o dinheiro forte da época) viajavam na mesma velocidade física.
Com o telégrafo no século XIX, as transações e as promessas de pagamento (crédito) passaram a se mover na velocidade da luz. O problema? O lastro físico, como o ouro, continuava a se liquidar na velocidade da matéria. Esse descompasso de velocidade entre transação (rápida) e liquidação final (lenta) forçou a criação de camadas e camadas de dívida e abstração, centralizando o poder em bancos e governos. Essa foi a única vez na história em que um dinheiro intrinsecamente mais fraco (abstraído) venceu um dinheiro mais forte (escasso) por causa de um novo fator: a velocidade.
Pilar 2: A Entropia Monetária do Padrão Fiduciário
Com a eliminação progressiva da conversibilidade entre dinheiro e ouro (finalizada em 1971), o sistema fiat (moeda sem lastro) tornou-se puramente dependente de intermediários de confiança.
Inflação Inevitável e Desigualdade: Sem a restrição de um bem escasso, os governos ganharam a capacidade de expandir a oferta monetária quase sem limites. Esse crescimento monetário contínuo é chamado de "Entropia Monetária". O resultado são economias viciadas em inflação e expansão. Esse processo dilui sutilmente o poder de compra e concentra riqueza nos mais ricos e naqueles mais próximos da fonte de emissão, um fenômeno conhecido como Efeito Cantillon.
As Bolhas de Moeda: Atualmente, existem mais de 160 moedas fiduciárias no mundo. Se você não está usando uma das principais (como o dólar), seu dinheiro perde valor rapidamente, e você está financeiramente preso no seu "silo" nacional. Governos usam controles de capital para manter as pessoas presas nesses sistemas financeiros.
Pilar 3: O Bitcoin como Solução Tecnológica
Diante do sistema quebrado, Alden aponta o Bitcoin como uma solução estrutural.
Registro Aberto e Escasso: O Bitcoin é a primeira forma de dinheiro que combina a escassez de um ativo como o ouro com a agilidade dos pagamentos digitais. Sua oferta é limitada rigidamente por código a 21 milhões de unidades.
Soberania e Descentralização: O Bitcoin funciona como um registro (ledger) descentralizado e incorruptível que não depende de confiança, mas sim de verificação matemática. Ele permite que a liquidação final ocorra na velocidade da luz, corrigindo a falha tecnológica do telégrafo. Essa tecnologia oferece uma alternativa a bilhões de pessoas com moedas em colapso e sob regimes autoritários, permitindo que elas poupem e transfiram valor sem risco de diluição política ou censura financeira. É, essencialmente, dinheiro peer-to-peer.
Pilar 4: A Encruzilhada Digital
O surgimento de tecnologias digitais cria uma bifurcação no futuro monetário.
CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central): Representam a continuação e a intensificação da centralização. Elas são versões digitais ainda mais centralizadas do dinheiro fiduciário, permitindo maior vigilância e controle estatal sobre os cidadãos.
Stablecoins: São tokens digitais, geralmente lastreados em moedas fortes (como o dólar), que rodam em blockchains. Embora sejam centralizados, eles servem como uma ferramenta poderosa para furar as "bolhas de moeda" dos países mais fracos, dando acesso rápido a ativos mais estáveis.
Bitcoin (Dinheiro de Código Aberto): Otimiza a descentralização, sendo um sistema permissionless (sem necessidade de autorização) e de código aberto. O seu sucesso oferece um caminho alternativo, mais descentralizado e deflacionário, que se opõe à tendência histórica de crescente controle estatal.
Em resumo, Alden vê Broken Money como um manual para entender que o problema monetário é tecnológico, e a solução—se vier—virá do código, e não do Estado. O Bitcoin é a primeira tecnologia a potencialmente fechar a brecha de velocidade que transformou o dinheiro em um instrumento de poder centralizado e inflacionário.
